sexta-feira, 27 de abril de 2012

Blah Blah Blah

Se há um lado positivo em ficar tanto tempo afastado deste blog é que, normalmente, sempre há novidades quando retorno. Neste caso, não apenas isso como também a correria, pois Abril é mês de provas e entrega de trabalhos na faculdade. Estou contando as semanas para acabar com este processo doloroso, cansativo e nada produtivo. Algumas poucas amizades talvez sejam a única coisa boa que carregarei daquele lugar.

Em 12 de Março iniciei um clareamento nos dentes, o que me impediu de fumar e – ainda mais desesperador – me fez interromper o consumo de Coca (a bebida). Acontece que sou um louco apaixonado por este líquido (fato extremamente óbvio para quem me conhece, além de motivo para diversas piadas) e passei por maus bocados após ter cessado abruptamente meus dois grandes vícios, embora com o cigarro tenha sido bem mais tranqüilo. Agora que o tratamento chegou ao fim, voltei a beber minha Coca gelada. O tabaco ficou para trás.

É impressionante a diferença que ficar sem fumar por poucos dias já proporciona. Mesmo sem exercícios físicos, minha capacidade respiratória melhorou muito – pude ir percebendo isso durante as caminhadas até o metrô e durante os ensaios, onde meu fôlego está me permitindo cantar bem melhor do que eu jamais havia feito. O fato de eu não ter mais que me preocupar se meu cheiro nicotinoso incomoda alguém também faz toda a diferença.

Finalmente comprei uma câmera digital. Não é grande coisa, mas ela filma em Full HD e é perfeita para fazer filmes experimentais. Há tempos não faço um bom filme, daqueles que me fazem sentir satisfeito e orgulhoso de mim mesmo. Porém, com o término da faculdade, creio que terei muito mais disposição tanto para escrever para este blog quanto para novos roteiros. Tenho algumas idéias, mas nenhuma paciência para colocá-las num papel (ou tela de computador).

Na Páscoa, voltei a Montes Claros novamente após apenas dois meses. Desta vez, passei mais tempo com pessoas diferentes daquelas que encontrei em minha última passagem pela cidade, e isso foi muito bom. Por mais que pudesse ser ótimo juntar todas as pessoas bacanas em um só lugar, sei que isso não é possível, afinal muitos viajaram durante o feriado. Mas minha filha estava lá e, para mim, é o que mais importa.

Não encontrar e nem dar sinal de vida para certo alguém também me fez muito bem. Espero que dessa vez ela perceba que não só a sua vida tem o direito de seguir em frente, como a minha também. Não a procurei porque realmente não fiz questão disso e quero, enfim, poder encerrar este capítulo em minha vida. Se feri seu ego, não lamento, apenas espero que compreenda eventualmente e cesse a hostilidade.

Um dos principais motivos desta viagem ter sido muito boa foi ter reencontrado Michele, colega de sala na Escola Normal que se tornou rapidamente uma amiga. Intrigas estúpidas da adolescência fizeram com que nos afastássemos por muitos anos. Relembramos momentos daquela época, pequenos detalhes curiosos – sequer me lembrava de muitos deles – e escutamos boas músicas com amigos também daqueles tempos, sendo alguns outros de épocas posteriores. Encontrá-la foi diferente de encontrar outras pessoas, pois ela, assim como eu, não pertence mais àquela cidade, e ainda assim foi lá onde nos reencontramos. Poucas pessoas têm o dom de fazer com que eu me sinta ótimo apenas por conversarem comigo e Michele é uma delas. Outra grande amiga que espero carregar por muito tempo de agora em diante.

Até o término das aulas – que deve ocorrer na metade de Junho – continuarei a fazer atualizações esporádicas. A faculdade roubou toda a minha vontade de escrever, mas sigo com minha política de atualizar o blog ao menos uma vez por mês.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Por Demônios Seja Guiado

Quando eu era mais jovem, gostava muito de fazer um som com os amigos. Devido à falta de talento, minha única opção era o vocal, pois nunca me dei bem com outros instrumentos. Em 2004, eu fazia parte de uma banda cover de Megadeth com alguns amigos e fiz apenas um show com eles, em Agosto. Embora a apresentação tenha sido boa, aquela seria a última vez em que eu subiria a um palco em muitos anos.

Eu gostava daquela banda. Saí da mesma por motivos bobos. Uriel e eu não estávamos nos dando muito bem por falta de maturidade de ambos na época, enquanto que Hermes não parecia mais tão interessado em prosseguir. Os únicos com os quais eu não tinha problemas eram Bruno e Maikleidson. Os anos foram se passando e Uriel e eu voltamos a conversar numa boa. Hermes sofreu um acidente fatal de carro em 2006.

Recentemente, pouco antes de minha viagem a Montes Claros, Bruno me convidou a fazer uma participação especial em um show do cover de Sepultura/Pantera do qual ele faz parte como guitarrista – assim como Uriel, no baixo. Eu achei que seria uma boa e aceitei o convite, escolhendo Strength Beyond Strength (Pantera – Far Beyond Driven, 1994) como sendo a música da qual eu gostaria de cantar. Como o show estava marcado para acontecer no Carnaval, fiz minha viagem a Montes Claros, regressei e aprendi a letra da música rapidamente. Estava tudo certo.

A banda faria dois shows em dias seguidos. O primeiro deles seria no Blues Pub, um bar em Taguatinga, no Sábado (18). Naquele dia, às nove da manhã, Bruno me liga pedindo para eu ir ao ensaio para quebrar um galho, pois Daniel, o vocalista, não poderia comparecer. Me arrumei rapidamente e fui para o estúdio. Mesmo morando mais longe do que os outros, fui o primeiro a chegar. O ensaio não foi bom para mim, pois fazia tempo em que não escutava algumas das músicas, o que me fez esquecer certas passagens. Mas, ao menos, eu sabia que aquilo era apenas um ensaio e que Daniel estaria presente à noite.

Após dormir quase o dia inteiro por ter saído com o Hernanny (que veio passar uns dias em Brasília) na noite anterior, chegado tarde em casa e não ter dormido muito antes do ensaio, me arrumei para ir ao show. Fui buscar Lande (namorada do Bruno) e nossa amiga Milly na casa deles e, ao sair de lá, Bruno me ligou do local do show avisando que Daniel não iria aparecer e que eu teria que cantar o show inteiro. Naturalmente, me senti bastante tenso, pois os caras eram meus companheiros de longa data e eu simplesmente não poderia dizer “não!”, mesmo sabendo que corria o risco de passar vergonha por não saber as letras de nove em dez músicas completamente.

Ao nos encontrarmos ao lado de fora do bar, entrei no carro do Bruno para poder ouvir melhor as músicas do set list e prestar atenção nas passagens e entradas dos vocais. Quanto às letras, não havia nada a ser feito, pois seria impossível decorar tudo em tão pouco tempo, especialmente porque faríamos a primeira apresentação da noite. Logo, não me foquei tanto nessa parte. Depois, levamos todo o equipamento para dentro do local. Marcelo havia trazido sua bateria inteira, que levou certo tempo para ser montada, atrasando ainda mais os eventos estabelecidos.

O “palco” era apenas uma plataforma de madeira de aproximadamente dez centímetros de altura. Isto não seria um problema, caso parte do piso não estivesse afundada, impossibilitando que eu me movimentasse bastante sem correr o risco de cair. A solução foi não sair do lugar durante todo o show. De acordo com o Hernanny, minha voz estava audível, mas não tão alta, o que achei ótimo, pois assim disfarçaria o “embromation” que, para um professor de língua inglesa, é vergonhoso e inaceitável (mas eu não tinha escolha).

O lugar não estava muito cheio, mas do ponto de vista do palco parecia estar tudo certo. Tive a impressão de que estávamos fazendo um bom show e que os poucos perto de nós estavam se divertindo. Ao perceber isso, me senti bem mais à vontade e passei a gostar de estar em um palco novamente, ainda mais com dois dos caras presentes na última vez, tantos anos atrás. Boas lembranças emergiram naquele momento.

O término da apresentação foi um alívio. Apenas pelo fato de eu não ter sido vaiado já foi uma vitória (assim como quando O Troco do Fiado foi exibido no Festival de Brasília). Até ouvi alguns elogios, o que eu não esperava, dada a minha falta de preparo na voz e nas letras e inexperiência no palco.

O show do dia seguinte foi no Carnarock, festival anual de Brasília que teve sua edição de 2012 no Cruzeiro. Dessa vez, Daniel estava disponível para se apresentar, o que me permitiu curtir o show apenas como espectador e fazer minha participação especial, tudo o que também deveria ter ocorrido na noite anterior. O local da apresentação estava bem cheio e havia muita gente em frente ao palco (inclusive eu) agitando bastante durante as músicas. Perto do fim, o próprio Daniel me convidou a juntar-me à banda para interpretar uma música em seu lugar.

O show estava tão bom que eu subi ao palco com o jogo ganho. Àquela altura, qualquer música seria bem-vinda, mas Strength Beyond Strength, com suas diversas variações de andamento, arrancou diversas respostas (positivas) da galera. Para mim, foi um momento mágico que ainda me causa arrepios, uma aventura breve, porém intensa, como há tempos eu não tinha. Não me lembrava mais de quão boa é esta sensação de estar em frente a várias pessoas se divertindo e deixar de lado, ainda que por alguns instantes, minha timidez (que, felizmente, está bem mais controlada e contida do que antigamente).

Não há nenhum vídeo desta participação especial, que mesmo sozinha valeu bem mais do que um show inteiro na noite anterior. O local era melhor, o público era maior e mais empolgado e o som estava perfeito, como eu nunca havia escutado antes em um show underground. Apesar da falta de lembranças físicas, este se tornou mais um daqueles seletos momentos que guardarei comigo por muito tempo, ou, quem sabe, pelo resto da vida.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Montes Claros

Eu sempre tive uma relação de amor e ódio com Montes Claros. Quando criança, eu adorava visitar a cidade e esperava por cada final de semestre ou ano para poder encontrar e brincar com meus primos. Tudo era muito bom naquela época, pois crianças não carregam as preocupações e responsabilidades de um adulto.

Sim, um adulto. Pois, aos 17 anos (ainda longe de responsabilidades), tive a primeira oportunidade de me mudar para aquele lugar. Através de Felipe (vulgo Neo, devido ao seu momento careca que evidenciava um buraco atrás de sua cabeça), apresentado a mim por meu primo Farley, conheci muitas pessoas e, através destas, conheci muitas outras mais, em um curto espaço de tempo.

Eu havia me mudado para lá porque recebi uma proposta de trabalho que não se concretizou. Portanto, passava todo o meu tempo na rua com meus “recém-conhecidos”. Nesta época, conheci a Aninha e ficamos juntos por sete anos. Durante este tempo, fui embora de Montes Claros algumas vezes. Minha última tentativa de morar lá ocorreu no segundo semestre de 2008, e não durou mais do que isso.

Entre idas e vindas, fui gradualmente percebendo que aquela cidade não me agradava por diversos motivos. Alguns deles eram ausência de privacidade, falsidade e inveja. Éramos um dos casais mais conhecidos por todos naquela época (na verdade, apesar das atuais circunstâncias, ainda somos) e havia muita gente querendo estar no meu lugar ou no dela, ou simplesmente não queria que estivéssemos juntos. Acabamos sobrevivendo a isso, pelo menos.

Outro motivo era a falta de oportunidades profissionais. Só havia trabalhos fracos e mal-remunerados. Não priorizavam as pessoas que realmente sabiam das coisas e como fazê-las, e sim aquelas munidas de “Q.I.”. Eu já estava achando tudo aquilo patético.

Mas Victoria foi gerada e nascida naquele lugar. Ela foi e é a melhor coisa que já aconteceu em toda a minha vida. Além da Aninha (quem me deu este inestimável presente), adquiri alguns bons amigos cuja amizade segue forte até hoje. Outros se perderam com o tempo por vício em drogas pesadas ou até mesmo foram mortos de forma inesperada. Após o início de 2010, eu ficaria dois longos anos sem pisar naquela cidade da qual jurei a mim mesmo que jamais voltaria a morar.

Nestes dois anos, voltei para Brasília, iniciei minha faculdade, meu relacionamento se encerrou e arrumei um trabalho do qual gosto muito. Eu não pensava em ir a Montes Claros tão cedo, pois tinha muito receio de acabar vendo algo que certamente poderia me deixar pior do que já estava. Minha filha me visitava esporadicamente, então eu estava tranqüilo sabendo que não precisaria ir lá para vê-la.

Até que, nestas últimas férias, não foi possível a sua vinda para Brasília, pois não havia quem pudesse ficar com ela enquanto eu trabalhava. Percebi que a única forma de ver minha filha seria ir a Montes Claros. Eu já estava bem o suficiente para isso. Pedi uma semana de folga no meu trabalho e avisei aos amigos mais próximos de que minha chegada era iminente e ocorreria no último dia 29.

Foi muito estranho estar de volta àquele lugar. Dois anos se passam muito rápido, mas muita coisa muda. Quanto à minha filha, jamais fico decepcionado. Cada vez que nos encontramos é uma sintonia diferente, mas igualmente perfeita. Cada momento com ela é precioso, desde um simples passeio no shopping, uma ida ao cinema ou até mesmo uma volta pelo quarteirão. Quando nos despedimos, percebi nela a tristeza ao me ver partir mais uma vez, o mesmo olhar que sua mãe transmitia tempos atrás.

Se as pessoas mudam, as amizades permanecem inalteradas. Antes da minha chegada, perguntei ao meu amigo Hernanny se poderia ficar em sua casa, o que foi imediatamente aceito. Quando fomos jogar sinuca juntos pela primeira vez após anos, nos divertimos relembrando frases que proferíamos durante as partidas, além de cantar Easy, bastante conhecida na versão do Faith No More, em alto e bom som, exagerando um pouco e não ligando para quem pudesse achar ruim. Grande companheiro de todas as horas.

Reencontrar Tayná, minha amiga mais antiga em Montes Claros, foi um dos melhores momentos da semana. Há cerca de quatro anos planejávamos nos encontrar para tomar uma Coca, fumar uns cigarros e conversar sobre putaria da forma como fazemos tão bem. Finalmente conseguimos transformar a vontade em realidade e acho que, apesar de também termos conversado sobre coisas mais sérias, há tempos eu não ria tanto. Não sei como um ano atrás eu havia me afastado dela apenas por estar irritado comigo mesmo e com outras pessoas dentre as quais ela não estava incluída.

Felipe era a única pessoa das quais não fazia tanto tempo que eu havia visto pela última vez, já que seu irmão Alceu mora em Brasília e ele costuma visitá-lo aqui ao menos uma vez por semestre, sempre me avisando com antecedência para que possamos marcar de sair. Eu o reencontrei na casa de João e Priscila (prima de Felipe), companheiros de Rock N’ Roll assim como nós. Priscila tem o dom de me fazer sentir em casa, sempre colocando para tocar o que gosto de ouvir, pois gostamos de várias bandas em comum. Alice In Chains é sempre presença certa. Na minha última noite na cidade, também me encontrei com Elton e Amom, outros dois companheiros daqueles áureos tempos de Avenida/Praça da Matriz/Shopping Popular.

É difícil conseguir medir as palavras para poder falar sobre Aninha. A última vez que ficamos juntos foi no início de 2011 e, mesmo que não estivéssemos mais namorando naquela época, a química foi intensa. Passado um ano sem vê-la, eu acreditei que estava pronto para seguir em frente. Na prática, foi muito diferente. Ela continua me enlouquecendo com sua beleza e encanto. Infelizmente, por mais que ainda exista amor mútuo (isso é óbvio para todos, como pude constatar), não depende de mim ficarmos juntos novamente. Basta que ela o queira e faça possível.

Voltar para Brasília após rever tantos bons e velhos amigos só fez aumentar a nostalgia habitual dos tempos em que eu realmente sabia o que era diversão. Estar com a Vicky traz luz à minha vida. Pela primeira vez em muito tempo, deixei Montes Claros sem realmente querer, mas isto não significa que eu voltaria a morar lá algum dia. Apenas fui embora com um aperto no coração e muita confusão em meus pensamentos.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Finale

Acordado, sou apenas metade de mim mesmo
Apenas em sonhos me sinto completo
Pois neles sou livre para visitá-la constantemente
Ir a lugares jamais explorados

Precisar de você não a trará de volta
Mas carrego-a comigo em memórias
Elas tornam minha vida menos insuportável

Não sei a quem você engana
Se a mim, a si mesma ou a todos

“Se possível, algum outro dia”
Talvez algum outro dia seja tarde demais

Então
Me abrace, me beije e me ame
Ainda que em pensamento
Antes que o mundo acabe.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Sepultura: Kairos

Eu tive a oportunidade de assistir a um show do Sepultura no Porão do Rock de 2002, quando a banda estava divulgando o álbum Nation (2001). Infelizmente, como não conhecia as músicas, fui embora mais cedo. No ano seguinte, ao ouvir Chaos A.D. (1993), me arrependi bastante de não ter conferido aquele show e uma nova oportunidade só surgiu em 15 de Dezembro de 2006, quando tocaram em Dallas e eu tive o enorme prazer de conhecer e conversar com Derrick, Paulo e Andreas (este último após a apresentação).

Se foi com Dante XXI, álbum lançado naquele ano, que passei a prestar mais atenção e a apreciar a fase da banda com Derrick Green nos vocais, A-Lex (2009) foi o responsável pela consolidação da minha paixão pela banda, independentemente de quaisquer fases ou formações. Em 2010, o Sepultura anunciava que um novo álbum seria feito e que vídeos dos ensaios seriam disponibilizados pela Internet periodicamente. Posso afirmar que esta foi a única vez em minha vida que acompanhei o processo de composição e gravação de um álbum. A expectativa por um novo álbum de estúdio da minha banda de Metal preferida em todos os tempos era enorme.

Kairos, lançado em Junho de 2011, foi o 12º álbum de estúdio do Sepultura – o sexto com Derrick, igualando em números com Max Cavalera. A banda optou por um som mais direto e pesado e remete bastante à famosa “trinca clássica” Beneath The Remains (1989)/Arise (1991)/Chaos A.D., fazendo de Kairos, em minha opinião, o melhor trabalho do Sepultura desde aqueles tempos.

Spectrum, se não funciona tão bem como faixa de abertura – especialmente de um grande trabalho – tampouco decepciona por sua cadência constante e riff simplista. Aqui já se pode notar a presença dos solos mais elaborados de Andreas Kisser, ausentes durante muitos anos. Kairos, a faixa-título, segue cadenciada em sua maior parte. Porém, a segunda metade da música é extremamente empolgante, com um riff simples e matador (uma especialidade de Andreas). Perfeita para agitar nos shows. O andamento do álbum começa a acelerar com Relentless, apresentando um excelente trabalho de bateria de Jean Dolabella e solos guitarrísticos intercalando entre si. Segue-se 2011, a primeira de quatro vinhetas (extremamente desnecessárias, por sinal) de aproximadamente 30 segundos de duração.

Just One Fix é uma música da banda Ministry e não conheço sua versão original. Entretanto, se há algo inegável é que o Sepultura sempre mandou bem em covers, improváveis ou não. Esta em questão até soa Industrial, mas, felizmente, não lembra em nada a modernidade encontrada em Roots (1996). Aqui temos Metal direto e de qualidade. Dialog traz a cadência de volta juntamente a um dos melhores refrãos do álbum. Propositalmente ou não, seu final lembra muito o do épico Desperate Cry, clássico do álbum Arise e, talvez, minha canção preferida da carreira da banda. Mask já anuncia as guitarras desesperadas de Andreas pedindo espaço. O refrão contém blast beats, remetendo ao Black Metal. Cheia de passagens e ritmos quebrados, é uma das mais empolgantes de Kairos. 1433 é a segunda vinheta a ser apresentada.

Seethe é a canção mais curta do álbum. Uma pena, pois há tantas idéias boas encontradas nela que poderiam render facilmente uns dois minutos a mais sem soarem repetitivas. Ainda assim, outro destaque. Born Strong é minha música preferida de Kairos e traz um dos melhores riffs já criados pelo Sepultura em seu refrão. Esta poderia facilmente fazer parte do Arise caso houvesse sido escrita naquela época, tamanha é a similaridade de estilos. Embrace The Storm não traz nada de muito interessante, sendo assim a canção que menos gosto aqui. 5772, a terceira vinheta, passa quase despercebida quando logo se inicia a frenética No One Will Stand, a música mais Thrash Metal do álbum, onde toda a banda se sobressai, até mesmo Paulo Jr. que, como todos sabem, nunca foi um grande baixista. Mas realmente quem se destaca logo no início é Jean, demonstrando grande técnica em sua bateria. Grande homenagem ao Thrash old school.

Desde Against (1998), o primeiro álbum com Derrick, o Sepultura encerra seus trabalhos com excelentes canções instrumentais/semi-instrumentais – as exceções vão para Roorback (2003) e A-Lex, sendo este último devido à inclusão da dobradinha A-LEX IV/Paradox em seu encerramento. Em Kairos, a banda apresenta Structure Violence (Azzes), uma parceria com o grupo de percussão francês Les Tambours du Bronx. A faixa traz elementos eletrônicos, frases ditas em Inglês e Português e alguns momentos cantados por Derrick. O trabalho de percussão é fantástico, assim como os riffs de Andreas. O Sepultura criou aqui a melhor faixa de encerramento de sua carreira, superando até mesmo a excelente Clenched Fist, do Chaos A.D. 4648 é a vinheta que finaliza Kairos de vez. Nesta, podemos conferir vozes da banda – mais precisamente as de Derrick e Andreas – conversando.

A edição especial de Kairos ainda traz duas bonus tracks. A primeira é Firestarter, mais um cover, desta vez da banda The Prodigy. Também não conheço a versão original desta, mas a encontrada aqui é ótima e traz um experimentalismo interessante. A outra é a inédita Point Of No Return. Mesmo não sendo do calibre de outras como Relentless, Dialog, Mask ou Born Strong, não consigo encontrar motivos para que ela não fosse incluída como parte do álbum, pois sua qualidade é inegável, sendo até mesmo melhor do que algumas das canções “oficiais”. Esta edição especial também traz um DVD contendo os mesmos vídeos dos ensaios disponibilizados na Internet.

Kairos foi uma volta bem-sucedida ao Metal praticado outrora e trouxe mais um punhado de excelentes canções ao catálogo do Sepultura, mostrando uma banda super coesa e afiada. Infelizmente, em Novembro passado Jean anunciou seu desligamento da banda, sendo substituído por Eloy Casagrande, o moleque virtuoso das baquetas. Eu espero apenas que ele seja um substituto a altura de Jean, que, por sua vez, fez justiça ao trabalho do fantástico Igor Cavalera. O confortante é saber que o Sepultura sempre foi e ainda é maior do que qualquer integrante que faz ou fez parte da banda, e eu só tenho a agradecê-los por tornar minha vida ainda mais feliz com sua música original e de extrema qualidade.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Da Lama Ao Caos: SWU 2011

Desde a terceira edição do Rock In Rio, em 2001, sempre tive vontade de ir a um grande festival de música. Foi nessa época em que comecei a apreciar algumas bandas mais contemporâneas, como Guns N’ Roses e Iron Maiden, sons dos quais eu não tinha contato porque meu pai não os ouvia em casa (o máximo era Unplugged In New York do Nirvana e Ten do Pearl Jam).

A quarta edição brasileira do Rock In Rio foi anunciada em 2010. Para mim, não valeria a pena sair de Brasília e ir para o Rio de Janeiro apenas para conferir Sepultura e Metallica. A primeira é minha banda de Metal preferida, mas já presenciei dois de seus shows (tudo bem, nunca é demais). Apesar de hoje eu gostar da segunda, nunca fui um grande fã a ponto de querer viajar para vê-los ao vivo.

A outra opção de festival de grande porte era o SWU em sua segunda edição. Mas o que é um festival de grande porte sem um número razoável de bandas boas? Megadeth e Down eram as duas únicas do último dia do evento que me chamavam a atenção. Entretanto, não eram suficientes para me fazerem viajar durante horas. Para mim, o SWU estava dispensado assim como o Rock In Rio.

Até que, no dia 20 de Agosto, foram simultaneamente confirmadas as presenças de Alice In Chains e Stone Temple Pilots. Minha vontade de ir ao festival se elevou consideravelmente, mas eu ainda temia não conseguir juntar dinheiro o suficiente para tal. Então, dias depois, fui ao apartamento onde meu pai mora e lá ele me perguntou sobre o festival. Ele demonstrou interesse e disse que, caso eu fosse, ele iria junto. Eu achei a idéia ótima, pois iríamos de carro e eu não teria gastos com passagens.

Na mesma semana fiz uma visita ao meu amigo/irmão Bruno e comentei que meu pai e eu iríamos ao SWU. Ele ficou empolgado e perguntou se poderia ir junto, caso fôssemos mesmo de carro. Eu disse a ele que não haveria problema. Porém, na semana seguinte meu pai disse que não tinha mais certeza se poderia ou não ir, pois talvez precisasse viajar para os Estados Unidos a trabalho. Deduzi naquele momento que ele não iria mais de forma alguma, então eu desanimei por um tempo e disse ao Bruno que talvez eu não fosse mais. Mesmo assim, ele me perguntava todos os dias se eu tinha mudado de idéia.

Mais um tempo se passou e eu fui novamente promovido no trabalho. Ao contar a notícia ao Bruno, ele afirmou que eu não mais tinha motivos para não ir ao SWU, então eu concordei e confirmei que iria. Compramos os ingressos e ele se encarregou de pesquisar e entrar em contato com excursões para o festival. Ele acabou optando por um ônibus fretado pelo Rafael Hedwig, antigo conhecido dele dos tempos do Coreto, em frente ao Colégio GG no Guará, onde freqüentávamos em 2004. Mesmo assim, eu não conseguia me lembrar quem era o tal Rafael – só associei o nome à pessoa quando o reconheci no dia da viagem.

Nós decidimos que levaríamos apenas uma mochila e que faríamos revezamentos com ela, contanto que eu a carregasse durante os shows do Down e Megadeth e ele durante os dos Stone Temple Pilots e Alice In Chains. Assim, cada um poderia curtir suas preferências da melhor forma possível.

O dia da véspera do show chegou e me encontrei com Bruno em sua casa para que ele pudesse guardar suas coisas em minha mochila e de lá pegamos o metrô até a Rodoviária do Plano Piloto, perto do Teatro Nacional, o local de partida combinado. Lá, nos encontramos com o Rafael e ele disse que não havia banheiro em nosso ônibus. Até aí, tudo bem.

Partimos às 20:30 e, próximo à meia-noite, aconteceu um fato engraçado: havia uma garota no ônibus bebendo Heineken como se não houvesse amanhã. Pouco antes, tivemos que parar para que ela pudesse atender ao chamado da natureza. Desta vez, estávamos passando por uma área muito comum em assaltos (Curvelo, se não me engano) e não seria uma boa idéia pararmos. A solução encontrada foi arrumar uma sacola plástica e fazer uma parede humana feminina para que ela pudesse urinar em pé. O que não me conformo é que eu fui a única pessoa a não presenciar este fato, pois estava dormindo naquele momento e só acordei com a sacola passeando sobre a minha cabeça. Ao menos ela ainda não tinha começado a vazar. Amém.

Fizemos diversas paradas. É nítida a diferença entre as feitas nos estados de Minas Gerais e São Paulo. Se qualquer lanche de estrada já não costuma ser barato, em São Paulo a facada é mais profunda para compensar a ótima estrutura dos lugares. Cada simples abocanhada custou aproximadamente R$ 15. Eu tive que rir. Em uma das paradas, a apenas algumas horas de Paulínia, tomou banho e trocou de roupa quem quis, pois não pararíamos mais até chegar ao destino.

Já em Paulínia, abandonamos o ônibus e caminhamos um pouco até chegar ao SWU. Convenientemente, o local escolhido fica em frente a um shopping, onde fomos comer pela última vez antes do show. Tendo em mente que comida nestes lugares é outra facada à parte, optamos pelos snacks das Americanas e comemos na área coberta da entrada do prédio, pois a chuva não cessava.

A fila para entrar no evento era enorme e se movia como uma lesma, devido à rigorosa revista em qualquer mochila ou bolsa que por ela passava. Já era notável a enorme quantidade de lama presente no local. Parece que a organização queria deixar o ambiente o mais próximo possível do Woodstock de 1969. A diferença é que no SWU as pessoas não compareceram em número gigantesco e as grades não foram derrubadas, permitindo livre acesso a qualquer um. Ainda bem, pois 70.000 pessoas já são muito mais do que eu costumo suportar.

Duff McKagan’s Loaded

Conseguimos entrar no local por volta das 15:00. Felizmente, os Raimundos já haviam tocado. Quem estava em um dos dois palcos principais naquele momento era o Loaded, banda de Duff McKagan. Confesso que nunca havia escutado uma música sequer da banda, mas gostei muito do que vi e ouvi. Duff não está tão acabado quanto parece em algumas fotos e ainda possui uma ótima presença de palco e boa voz. Sua banda de apoio é bastante competente, assim como suas composições.

Cinco músicas gravadas pelo Guns N’ Roses foram executadas durante o show, mas não me lembro da ordem das primeiras. New Rose, do álbum de covers “The Spaghetti Incident?” (1993), foi uma delas. Trata-se de uma ótima canção gravada originalmente pela banda The Damned e lançada em seu álbum de estréia Damned Damned Damned (1977). Os primeiros acordes de So Fine, de Use Your Illusion II (1991), me fizeram ficar ainda mais atento ao show, pois aquela era a primeira composição do Guns N’ Roses presente ali.

O ponto alto do show, ao menos para o Bruno e eu, foi a enorme surpresa (“Caralho, mermão!”) ao reconhecer o início da música seguinte. Tratava-se da excelente Dust N’ Bones (Use Your Illusion I, de 1991), pouco celebrada até mesmo pela maioria dos fãs do GN’R. Por isso, nunca imaginamos que algum dia teríamos a oportunidade de conferi-la ao vivo. Valeu, Duff!

O fim do show se aproximava com Attitude, outra canção de “The Spaghetti Incident?” que eu adorava ouvir na adolescência. Esta foi gravada originalmente pelos Misfits e lançada no EP Beware, de 1980. O clássico It’s So Easy, do igualmente clássico álbum de estréia do Guns N’ Roses, Appetite For Destruction (1987), tratou de encerrar o show de Duff e banda, com o público ali presente agitando bastante, dada a popularidade da canção. Um ótimo aquecimento para os shows mais aguardados daquele 14 de Novembro.

Eu estava curioso para conferir a apresentação do Black Rebel Motorcycle Club. Conheci a banda em um show em Boston em 2006, durante a turnê do álbum Howl (2005), e fiquei impressionado com o talento dos integrantes como músicos e compositores. Infelizmente, mais de cinco anos depois, o som e a formação da banda mudaram. O que fazem hoje não é ruim, mas, após três músicas, nós preferimos ir procurar por um bom lugar para assistir ao show do Down no outro palco.

Down

A super-banda formada por Phil Anselmo (Pantera – vocais), Pepper Keenan (Corrosion Of Conformity – guitarra), Kirk Windstein (Crowbar – guitarra), Jimmy Bower (Eyehategod – bateria) e Pat Bruders (Crowbar – baixo) subiu ao palco por volta das 17:00. Anselmo anuncia que a banda tocará NOLA – o primeiro álbum, de 1995 – na íntegra. Achei isso ótimo, pois NOLA é o único trabalho da banda que conheço.

Assim sendo, o massacre sonoro começou com Temptation’s Wings. Phil Anselmo, apesar de toda a sua pose de bad boy do Metal – sempre com cara de mau, chegando até mesmo a arrebentar propositalmente a testa com o microfone – é, de fato, um verdadeiro showman, comunicando-se com a platéia constantemente, seja com gestos ou palavras, e não parando um momento sequer. Destaco também sua performance vocal, que, ao vivo, não deixa a desejar em nada em relação às gravações de estúdio.

Alguns momentos do show valem a pena ser destacados. A segunda música apresentada, Lifer, foi dedicada por Anselmo a Dimebag Darrell. Hail The Leaf fala sobre o uso da maconha e foi dedicada ao Sepultura (mais especificamente Andreas Kisser e Paulo Jr) como uma brincadeira. Em Stone The Crow – uma das mais conhecidas – a participação do público foi mais ativa, cantando o marcante refrão a plenos pulmões.

(Minha única reclamação para com a banda, fortemente influenciada pelo Black Sabbath, é o fato de eles terem chupado um dos riffs principais de Behind The Wall Of Sleep e o utilizado em Pillars Of Eternity. A composição é, na verdade, de Anselmo, mas a banda inteira deveria ter percebido. Talvez seja apenas uma homenagem, mas há formas muito melhores e mais originais de homenagear o trabalho feito por outrem.)

Antes da execução da última música, Anselmo perguntou à platéia o que nós queríamos ouvir. A resposta era óbvia e, ao verem a enorme tatuagem que um fã carregava em seu tórax, a banda tocou o refrão de Walk, clássico do Pantera pertencente ao excelente Vulgar Display Of Power (1992). Todos enlouqueceram naquele momento. Não à toa, pois presenciávamos um show do lendário vocalista daquela banda que foi um gigante da década de 1990. Sem sombra de dúvidas, foi o momento mais marcante do show.

O encerramento com Bury Me In Smoke foi muito interessante. Durante a seção final da música, os integrantes do Down entregaram seus instrumentos a outros músicos, que continuavam a tocar enquanto a banda andava pelo palco. Tratava-se do Loaded – as duas bandas estavam fazendo uma turnê conjunta pela América do Sul. Ao final da canção, todos deixaram o palco, mas Anselmo voltou rapidamente para agradecer ao público e cantar “...and she’s buying a stairway to heaven”, sendo acompanhado e bastante ovacionado pelo público.

No fim, o Down acabou não tocando NOLA na íntegra (faltaram quatro canções) por falta de tempo, mas, em uma hora, fizeram um show irrepreensível e deram uma aula de como agitar uma multidão com um som pesadíssimo e de qualidade inquestionável.

O relógio marcava 18:00. Três bandas das quais não conheço e o Bruno não curte (311, Sonic Youth e Primus) seriam as próximas a tocarem antes do show do Megadeth, que estava previsto para começar após 21:00. Decidimos que era hora de descansar um pouco e conhecer melhor o local. Nos sentamos em uma calçada que tinha por lá e, após algum tempo, voltou a chover. Colocamos as capas de chuva e nos dirigimos até o bar para comprar cerveja – a Heineken custava “apenas” R$ 6 – e, de lá, visitamos o New Stage, palco alternativo do festival, onde ficamos enrolando por um bom tempo. Lá, o público estava bem mais disperso e o som era bacana.

Como se já não bastasse todo aquele lamaçal, o lugar que supostamente deveria ser um banheiro virou um grande mictório. Pisar naquela lama mijada cobrindo quase todo o meu All Star me fez pensar que eu teria que amputar meus pés depois de alguns dias.

Megadeth

Acabamos nos atrasando para chegar ao palco onde o Megadeth tocaria, então nos instalamos em um dos primeiros espaços que achamos, mais próximos do palco do que costumamos ficar. Logo no começo do show, com a ótima Trust, eu percebia que o clima ali naquele lugar não era bom, pois várias pessoas estavam passando rapidamente por lá e esbarrando em boa parte dos que estavam parados tentando curtir o show.

Após algumas canções, como os clássicos Wake Up Dead e Hangar 18, achamos que seria uma boa idéia nos afastarmos um pouco daquela confusão. Durante o percurso rumo a um lugar mais tranqüilo, o Bruno, que andava a frente, virou-se e me contou que alguém havia roubado sua carteira (que, felizmente, continha apenas R$ 5 e uma carteira de habilitação vencida). Logo em seguida, apalpei meus bolsos para descobrir que meu celular – adquirido dois meses antes – e minha carteira também haviam sumido.

Fiquei louco. Voltei alguns metros pelo mesmo caminho e consegui achar minha carteira na lama, em estado lamentável. O dinheiro criou asas, mas, ao menos, consegui meus documentos de volta. O resultado de tudo isso é que fiquei tão transtornado na hora que simplesmente não consegui mais me focar no show do Megadeth. Sequer conseguia me lembrar quais músicas haviam acabado de tocar.

Foi apenas ao assistir ao show novamente para escrever esta matéria que pude constatar o quanto o mesmo foi ótimo – apesar dos pesares, o Megadeth não é culpado pelo meu infortúnio. A banda do genial Dave Mustaine (guitarra e vocal) encontra-se em uma grande fase, com uma de suas melhores formações, que conta com David Ellefson no baixo, Shawn Drover na bateria e Chris Broderick na outra guitarra.

Mustaine é um cara que não é de falar muito no palco, mas é evidente o quanto ele ama o que faz. Quando diz algo ao microfone, é amplamente aplaudido por todos, que o admiram como o grande compositor e guitarrista que é, fundador e líder de uma das melhores bandas de Metal de todos os tempos. Broderick e Ellefson também são shows à parte, agitando como poucos sobre o palco.

O Megadeth ainda tocou outros clássicos absolutos como A Tout Le Monde e Sweating Bullets, além de Head Crusher – do maravilhoso Endgame, de 2009 – e as novas Whose Life (Is It Anyways?) e Public Enemy No. 1, ambas de Th1rt3en, lançado apenas duas semanas antes. O “porém” dos shows do Megadeth é aquela velha impressão de já ter visto tudo aquilo (ou quase) antes. A trinca de encerramento Symphony Of Destruction/Peace Sells/Holy Wars... The Punishment Due já está mais que desgastada, pois, sendo utilizada por muitos e muitos anos, acaba estragando quaisquer possíveis surpresas, como foi a abertura com Trust.

Voltando ao local do show, após eu ter passado muita raiva, Holy Wars se inicia. Bruno e eu, fãs de Megadeth que já assistiram a dois shows da banda anteriormente cada um, decidimos aproveitar o momento para nos deslocarmos para o outro palco e nos prepararmos melhor para uma das bandas que mais aguardávamos naquele dia.

Stone Temple Pilots

Após os acordes finais de Holy Wars e, posteriormente, o playback de Silent Scorn, a espera pela apresentação dos Stone Temple Pilots durou alguns minutos. Um pouco antes das 22:30, a banda adentra o palco e imediatamente executa Crackerman. Se pouco antes disso eu ainda estava estressado, naquele momento tudo passou. O show era outro. A vibe era outra. Eu havia finalmente percebido que, se eu continuasse como estava, não aproveitaria o resto da noite e me arrependeria disso por muito tempo. Talvez, tempo demais.

Logo na abertura, fica evidente que Dean DeLeo (guitarra), Robert DeLeo (baixo) e Eric Kretz (bateria) são músicos extremamente competentes e entrosados. O vocalista e figura principal Scott Weiland utiliza seu sempre presente megafone em algumas partes da canção – ele acabaria sendo reutilizado em alguns outros momentos do show.

Weiland é um sobrevivente das drogas pesadas (assim como Duff McKagan, Phil Anselmo e Dave Mustaine). Sua aparência está sóbria e ele parece, enfim, ter saído do buraco de vez. Suas famosas dancinhas e rebolados toscos continuam presentes nas apresentações da banda, assim como a sua economia ao conversar com a platéia, deixando a música falar por si mesma.

O set list dos STP foi quase inteiramente baseado nos dois primeiros álbuns da banda – o ótimo Core (1992) e o excelente Purple (1994). Do No. 4 (1999), meu preferido, apenas Heaven & Hot Rods esteve presente. Nada do Shangri-La Dee Da (2001) foi executado.

Quando Between The Lines se encerrou, os músicos iniciaram uma jam session com slide guitar. Apenas uma coisa se passava pela minha cabeça naquele momento: “Porra, eles vão tocar Big Empty!”. Foi exatamente o que aconteceu. Foi difícil conter a emoção naquele momento, pois Big Empty faz parte de mim desde minha infância e ela me acompanhou durante diversos estágios da minha vida. Foi um momento mágico poder conferir seus criadores executando-a ali, ao vivo e a cores. Uma de minhas melhores lembranças do SWU.

Foi com Plush que o enorme público, cansado e debaixo de chuva, mostrou que ainda possuía energias suficientes para agüentar mais algumas horas de festival. Todos cantaram juntos a canção mais famosa – e, certamente, uma das melhores – dos Stone Temple Pilots. A belíssima Interstate Love Song e a divertida Big Bang Baby foram acertadamente executadas logo em seguida, aproveitando a empolgação do pessoal.

Para finalizar, a banda executou Trippin’ On A Hole In A Paper Heart, agradeceu a todos e deixou o palco. Apesar de eu achar que Sex Type Thing, a canção anterior, cumpriria melhor a tarefa, não tive reclamações a fazer. Apenas queria que aquele show tivesse durado mais. Bem mais. Talvez as pessoas que puderam conferir os STP em 2010 tenham reclamado da mesmice do set list no SWU (assim como o Bruno e eu reclamamos do set list do Megadeth), mas aquela foi minha primeira vez.

Alice In Chains

Entre os dois palcos principais, havia um lugar vendendo cerveja, cercado por uma grade baixa. Encostei-me ali, de frente para o palco do Alice In Chains, que ainda estava muito longe. Eu estava cansado e perguntei ao Bruno se poderíamos assistir ao show naquele lugar, que estava bem menos movimentado. Ele concordou.

Alice In Chains era a banda mais aguardada por mim naquele dia. Em certo momento, me senti como Scott Pilgrim em um jogo no qual eu deveria passar por todos os capangas (as outras bandas) para, enfim, chegar ao chefão (Alice In Chains). Eu simplesmente não acreditava que o ápice daquele dia magnífico estava para começar.

Era quase meia-noite quando o AIC entrou no palco. Os primeiros sons da guitarra ecoaram nos amplificadores. A banda executa Them Bones, considerada por mim uma das mais lindas canções de Heavy Metal de todos os tempos – pesadíssima e com um excelente solo de guitarra. Logo em seguida, emendam Dam That River, outra porrada característica da banda. Ao final desta, Bruno me pediu para nos aproximarmos mais do palco e, naquele momento, meu cansaço já havia desaparecido como dinheiro público.

Enquanto procurávamos por um bom lugar para passarmos o show, a banda inicia Rain When I Die (nada poderia combinar melhor com aquele tempo chuvoso). Então, me dei conta de que as três primeiras canções do show eram também as três primeiras do álbum mais clássico da banda, Dirt (1992). Cheguei até mesmo a pensar que ele seria executado na íntegra, o que não se concretizou.

O Alice In Chains é uma banda com excelência em composição e musicalidade. O guitarrista e vocalista Jerry Cantrell, o baterista Sean Kinney, o baixista Mike Inez e o vocalista principal (também guitarrista ocasional) William DuVall compõem sua atual formação. Os quatro álbuns de estúdio e os dois EPs lançados durante a carreira não parecem muito, mas foram (e ainda são) a trilha sonora da vida de muitas pessoas, que já começavam a ser dominadas pela emoção e nostalgia dos velhos tempos.

O show segue com Again – a única do álbum Alice In Chains (1995) no set list. Logo em seguida veio Check My Brain e, ciente do quanto o Bruno adora aquele riff, pedi para segurar a mochila naquele momento para que ele pudesse aproveitar ainda mais aquela canção e disse: “Essa é sua, irmão!”. Na seqüência, It Ain’t Like That nos fez bater cabeça com seu peso e ritmo cadenciado. Uma das melhores composições de Facelift (1990), o primeiro álbum da banda.

Your Decision foi a primeira música do mais recente álbum, Black Gives Way To Blue (2009), a ser tocada no show. Ótima balada acústica, assim como a seguinte, Got Me Wrong, outra de minhas preferidas, presente no EP Sap, de 1992. Mais uma presença de peso, literalmente falando, foi We Die Young, dona de um dos riffs mais inspirados do acervo da banda.

William DuVall se comunicou brevemente com o público em português em alguns instantes, demonstrando sua enorme satisfação em tocar com o Alice In Chains no Brasil pela primeira vez. O vocalista possui uma presença de palco mais agitada, o que contrasta bem com as letras comumente depressivas do AIC.  Já Jerry Cantrell – o líder, principal compositor e a alma da banda – também se comunicou ocasionalmente conosco, em sua língua nativa, sempre convidando todos a cantarem junto a eles os clássicos que marcaram toda uma geração.

Foi o que aconteceu após Last Of My Kind. Os acordes iniciais de Down In A Hole indicavam qual seria o clima daqueles cinco minutos seguintes. Eu olhava para os lados e via algumas pessoas chorando, emocionadas, cantando a maravilhosa letra daquela canção. O mesmo pode ser dito de Nutshell (do EP Jar Of Flies – 1994), dedicada aos ex-integrantes Layne Staley – vocalista, falecido em 2002 – e Mike Starr, baixista, morto apenas oito meses antes. A emoção dos presentes se elevou ainda mais. Estas duas canções juntas formaram o melhor momento de todo aquele show inesquecível. Sinto arrepios só de lembrar.

Acid Bubble, minha canção preferida de Black Gives Way To Blue, foi seguida por outros dois clássicos: Angry Chair e Man In The Box. Esta última fez agitar até quem havia passado o show inteiro parado e dava a impressão de que o mesmo estava por ser encerrado. Felizmente, ainda havia tempo para mais. Rooster se inicia e, embora eu não seja fã desta por achá-la cansativa, admito que até mesmo a chatíssima Frogs me deixaria louco se fosse executada ali. No Excuses trata de encerrar o show.

Eu disse “encerrar o show”? Espere! DuVall agradece ao público por “ficar na chuva” e anuncia que a banda tocará sua última música, que, para mim, seria também o último grande momento daquela jornada. Mike Inez executa aquela inconfundível introdução em seu baixo. Sim, era Would?, a canção pela qual o Bruno e eu ansiamos para ouvir durante todo o show. Na verdade, algo me dizia que o mesmo seria encerrado com ela desde o início. Would? é, provavelmente, minha música preferida do AIC e a que mais me faz lembrar de Layne Staley. Ao ouvi-la ao vivo, gastei todo o resto de energia que ainda me sobrava.

Assim sendo, o Alice In Chains encerrou sua maravilhosa apresentação de pouco mais de 90 minutos da melhor forma possível. Todas as minhas expectativas foram cumpridas e até mesmo superadas. O melhor show daquele dia, um dos quais lembrarei para sempre com um enorme sorriso no rosto. Depois de tudo aquilo, a única coisa da qual eu precisava era descansar por muito, muito tempo.

Entretanto, o Bruno queria assistir a apresentação do Faith No More. Para começar, eu nunca consegui absorver o som da banda ou entender sua proposta musical (sempre achei suas músicas bastante esquisitas), muito menos o porquê de a mesma ter sido escalada para encerrar o último dia do festival.

Faith No More

Estava frio e chuvoso, eu estava exausto e minha coluna gritava por socorro há tempos. Já era quase 1:30. Eu realmente não estava disposto a assistir aquele show e perguntei ao Bruno se eu poderia esperá-lo em algum outro lugar para descansar durante o mesmo. Ele insistiu para que eu fosse com ele. Acabei concordando, pois eu mesmo não gostaria muito de assistir a qualquer show sozinho.

A introdução ficou a cargo do poeta pernambucano Cacau Gomes, que fez um protesto pelo fato de sua biblioteca, com um acervo de 20.000 livros e diversas atividades artísticas, ter sido fechada após quinze anos de dedicação. Ele concluiu dizendo que reabrirá a mesma quando voltar a Recife (espero que realmente consiga) e anunciou o Faith No More por volta de 1:40. Como eu não era familiarizado com quase nenhuma das músicas presentes no set list, tampouco sabia quais eram seus nomes. Então, pretendo apenas comentar os instantes mais curiosos, ao menos a meu ver.

A bateria de Mike Bordin estava cercada por flores e todos os integrantes estavam usando roupas brancas. Parecia uma apresentação de candomblé. O show inteiro só me comprovou duas coisas. A primeira delas é que realmente o som da banda não me agrada. A segunda é que, para mim, valeu à pena assistir ao Faith No More apenas por um motivo: Mike Patton.

Patton é um cantor completo, dotado de uma técnica vocal impressionante, capaz de reproduzir vocais dos mais variados estilos e que jamais desafina ou perde o fôlego. Passeia com tranqüilidade entre gritos ensandecidos das canções mais pesadas e o feeling das mais suaves. Sua presença de palco é totalmente tresloucada, assim como suas expressões faciais em boa parte do tempo. Visitante assíduo do Brasil e amigo dos membros do Sepultura, o vocalista se comunicou com o público apenas em português.

Todos os melhores momentos do show foram protagonizados por Patton. Um deles foi quando ele desceu do palco, tomou posse de uma das câmeras profissionais e documentou tanto outros cameramen quanto o palco e o público, caindo do pedestal e levantando-se rapidamente para ir cumprimentar as pessoas. Ao regressar ao palco, anuncia duas palavras, convocando todos a cantarem “porra, caralho” repetidas vezes durante a execução de uma das canções. Foi um momento muito engraçado.

Patton babou no palco ao ouvir o público cantando em seu lugar. Em outra canção, um coral de crianças proveu backing vocals e elas foram nada menos do que fantásticas. O encerramento do show foi um tanto estranho (mesmo sendo do Faith No More) por contar com uma balada jazzística. A banda tocou por quase quinze minutos a menos do que o Alice In Chains.

Próximo às 3:00, uma queima de fogos se seguiu, anunciando o fim do festival. Logo em seguida, percorremos um longo caminho até a saída do local, dificultado consideravelmente pela lama. Àquela altura, não cair de bunda no chão exigia um grande controle físico e mental. Levamos quase meia-hora para chegarmos ao nosso ônibus e, ao me sentar na poltrona, me desliguei. Acordei apenas quando fizemos a primeira parada, muito depois. Felizmente, apenas mais uma se seguiu até chegarmos a Brasília, exatamente no mesmo local de onde havíamos partido dois dias antes. Depois de pegar o metrô, passei no apartamento do meu pai – ele acabou não indo viajar mesmo – para contar-lhe como foram a viagem e o festival. Logo depois, fui para minha casa, joguei meu All Star coberto de lama mijada no lixo e tomei um longo banho.

No fim das contas, o saldo foi extremamente positivo. Fui prejudicado pelo roubo? Sim, claro. Mas o que são valores monetários se comparados à oportunidade de presenciar algo mágico, único e inesquecível como foi o último dia do SWU Music & Arts Festival 2011? Certamente, aquele dia será sempre celebrado por mim como um dos mais memoráveis de minha vida. Eu só tenho a agradecer ao Bruno pela insistência. Simplesmente é impossível imaginar uma companhia para assistir Down, Megadeth, Stone Temple Pilots e Alice In Chains melhor do que a dele, pois temos gosto em comum por estas e muitas outras bandas. Muito obrigado, irmão!

sábado, 31 de dezembro de 2011

Epílogo (Memória: Parte II)

Estava eu lendo o post referente ao primeiro aniversário deste blog e relembrando como havia sido o ano de 2010. Realmente foi um ótimo ano ao lado dos amigos em Goiânia no primeiro semestre e dos colegas de faculdade em Brasília no segundo. Aquilo seria difícil de superar, ao menos em curto prazo.

Na faculdade, aquele senso de união acabou junto ao primeiro semestre. Logo no início do segundo, já em 2011, indícios de que cada semestre seguinte seria pior que o anterior começavam a surgir quando finalmente percebi o enorme desdém da faculdade e da coordenação para com o nosso curso e isso refletiu até mesmo nas relações entre os alunos. Os trabalhos em grupo foram ficando cada vez mais tensos, gerando grandes atritos. Como não poderia deixar de ser, muitos atribuíram boa parte destes atritos à minha personalidade crítica e inflexível. Sinceramente, não dei a mínima. Chegava a um ponto em que eu simplesmente fazia a minha parte e esperava que o trabalho fosse concluído de qualquer forma.

Apesar dos altos e baixos, eu creio que o próximo semestre – o último – será bom, mesmo não tanto quanto foi o primeiro. Espero apenas não me decepcionar ainda mais. Acho difícil, mas nunca se sabe. Ao menos eu pude comprovar que, mesmo com um curso e uma faculdade tão aquém, minha paixão pelo Cinema continua intacta.

Se 2011 foi horrível na faculdade, foi excelente em termos profissionais. Eu nunca havia gostado de algum trabalho a ponto de querer passar mais tempo nele do que em qualquer outro lugar, até mesmo a minha casa. Estou num ótimo momento e atribuo isso à minha dedicação durante todo o ano, expondo a responsabilidade, confiança e competência em minha pessoa que eu mal sabia que existiam. O melhor de tudo não é apenas ser reconhecido, mas também respeitado – poder ser professor, colega e amigo de todos e saber como separar e equilibrar as coisas é maravilhoso. Todos saem ganhando, eu principalmente. Aprendo todos os dias com todo mundo, sobretudo com os alunos. Neste sentido, minha expectativa para o ano que vem é de algo ainda maior e melhor.

No lado pessoal, o ano não foi tão bom. Parece um tanto contraditório com o que eu acabei de escrever, mas a verdade é que a solidão pairou em mim durante todo o tempo. Eu me sentia sozinho mesmo não estando. Por mais que eu não esteja com pressa em ter alguém ao meu lado, sinto falta. Afinal, relacionamentos são como drogas e tecnologia: só sentimos falta depois de experimentar. Nenhuma das mulheres com quem saí este ano me fez despertar a vontade de querer levá-la a ter algo mais sério. Faltava alguma coisa, mas ainda não descobri o que. Talvez eu mesmo não quisesse nada sério com ninguém na época.

Além do lado profissional, o único outro motivo que impede que este ano seja inferior ao passado é o tempo que passei com a Victoria. Foi muito breve, mas aquela linda garotinha de seis anos conseguiu extrair o que há de mais paterno em mim naquela semana de convivência. A saudade aumenta toda vez em que ouço sua voz pelo telefone. Aquele foi o único momento do ano em que a solidão resolveu tirar férias. Até mesmo meu relacionamento com meus pais melhorou. A cada dia eu percebo mais e mais o quão importantes eles são para mim. Afinal, são eles quem ficam ao meu lado quando estou na merda.

Em resumo, 2011 teve seus bons e maus momentos. Acredito que os bons foram feitos da melhor forma possível. Os maus, penso que eu mesmo não poderia ter feito muito – quase nada – para que fossem diferentes. Tudo é questão de momento. Tudo passa, tudo passará.

Que 2012 venha com tudo. Ótimo Ano Novo a todos.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Memória: O Lado Oculto (Parte I)

O sono não vem
A varanda é minha única opção
Um cigarro é meu único companheiro
O frio remete à melancolia em meus pensamentos
Em minha cadeira, me encolho sob o sereno
Aquela linda noite, o luar
Memórias emergem, um sorriso se abre
Bons tempos que não voltam
Personalidades que mudaram
Rostos que se desfiguraram
Logo, o sorriso se vai
Pois me lembro daquele rosto em especial
Um amor morto e enterrado
Incapaz de ressurreição
Talvez até mesmo dois, ou três
Mas nenhum presente, apenas passado
Então penso no quão ruim é estar sozinho
Nada anula tudo, tudo significa nada
Não estou mal, mas poderia estar melhor
Apenas preciso de alguém.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Dois


O blog Apenas Um Outro Nômade está completando 2 anos de existência hoje. Durante este período, aconteceram coisas boas e ruins que fizeram um grande bem ao meu crescimento pessoal. Boa parte das minhas alegrias e tristezas foi exposta de maneira econômica, porém compreensível aos que gastaram seu precioso tempo passando por aqui.

É verdade que nunca me dediquei tanto quanto poderia. Nunca fui de fazer atualizações constantes, pois sou a favor de ficar calado caso não tenha algo de relevante a dizer. Tudo o que já foi dito aqui reflete os diversos momentos pelos quais passei ao longo destes 730 dias.

Jamais me arrependi de algo que publiquei, pois não faço isso sem pensar nas conseqüências. O problema é que, quando estou irritado, é muito perigoso escrever. Isto é algo que estou evitando fazer desde Dezembro do ano passado. Ainda assim, nem tudo o que escrevo acaba sendo publicado – apenas o faço porque amo escrever, amo as palavras e amo a forma como todas elas se juntam, formando algo único e magnífico.

Este blog foi meu melhor amigo durante muito tempo e continua sendo muito importante em minha vida. Às vezes paro para ler o conteúdo datado de seu início, e me impressiono comigo mesmo, com o quanto a minha forma de enxergar as coisas mudou, pois embora dois anos passem rapidamente, é tempo suficiente para amadurecermos.

Provavelmente chegará o dia em que não precisarei mais deste blog, ou definitivamente não terei mais tempo para ele. Caso isso realmente aconteça, ele deixará de ser atualizado, mas continuará a existir, pois é uma parte de mim que quero poder revisitar sempre. Sim, a nostalgia também é minha grande amiga.