sábado, 28 de maio de 2011

25

Por que tenho a sensação de que o tempo está passando rápido demais? Outro ano se passou em minha vida. Parece que foi ontem. Será que fiz tudo o que deveria ou será que foi mais um ano em branco, dos quais praticamente me esqueci de viver? Não sei, talvez tenha sido um meio-termo. Arrependimentos? Sempre terei. Seria hipócrita de minha parte dizer que só me arrependo das coisas que deixei de fazer. Às vezes, gostaria de ter uma máquina do tempo para consertar meus erros, mas pelo menos eu aprendo na maioria dos casos. Também aprendi, de forma complicada, que certas coisas aconteceram para que eu me tornasse mais forte e maduro para encarar o futuro com outros olhos e atitudes. Tive um ano melhor do que os últimos, mas sei que posso fazer muito mais, e farei. Afinal, prometi a mim mesmo há algum tempo que cada ano será melhor do que o anterior. Ao menos é bom saber que este projeto de vida começou dando certo.

Deixo aqui um grande abraço à minha família, meus amigos, colegas e a todas as pessoas que me visitam no blog, inclusive as quais não conheço pessoalmente. A relevância de vocês em mim é inestimável.

domingo, 22 de maio de 2011

The Crow (O Corvo - 1994)

A nostalgia é algo que sempre me intrigou e que faço questão de revisitar constantemente. Não vivo do passado, mas sempre volto a ele com um grande sorriso no rosto e, talvez, uma dose de melancolia também por saber que aquilo jamais voltará.

O ano era 1994 e eu estava assistindo a alguns trailers em uma VHS que havia alugado. Meu pai estava comigo quando o trailer de The Crow (O Corvo, daquele mesmo ano) foi exibido e me disse que o ator principal faleceu acidentalmente durante as filmagens do mesmo. Logo, minha mórbida curiosidade me fez alugá-lo. Ao assistir ao filme, fiquei bastante intrigado pela performance excelente do ator e resolvi buscar mais informações sobre ele. Tratava-se de Brandon Lee, filho da lenda das artes marciais Bruce Lee (algo do qual meu pai sabia, mas não havia mencionado).

Brandon Lee também começou sua carreira cinematográfica com filmes de luta. The Crow foi o primeiro (e obviamente único) que dependeu muito mais de sua interpretação do que de suas habilidades como lutador. Analisando o filme, fica claro que Lee teria tudo para seguir uma grande carreira no Cinema.

The Crow narra a história de Eric Draven (Lee), um músico de Rock N’ Roll que, assim como sua noiva Shelly (Sofia Shinas), foi assassinado na noite anterior ao seu casamento. Ressuscitado por um corvo, Draven regressa do mundo dos mortos após um ano para poder se vingar da trágica morte de sua amada e a dele própria. Para isso, é auxiliado pelo corvo e por lembranças do passado ao tocar em pessoas e objetos que fizeram parte daquele momento.

Escrito por David J. Schow e John Shirley e dirigido por Alex Proyas, o filme traz a cinematografia fantástica do polonês Dariusz Wolski, que transforma a cidade (não revelada no filme) onde a narrativa acontece em uma bela e mórbida paisagem gótica que provavelmente deixou Tim Burton orgulhoso. Aliada à música do neozelandês Graeme Revell, a fotografia nos apresenta momentos brilhantes, especialmente aqueles que mostram o corvo sobrevoando a cidade.

Os efeitos especiais de The Crow não são um primor para a tecnologia da época devido ao baixo orçamento do filme, mas combinam perfeitamente com a atmosfera gótica do mesmo. Graças a eles, o filme pôde ser completado sem a presença de Lee, que faleceu apenas uma semana antes do fim das filmagens. Para algumas cenas, um dublê de corpo foi usado e o rosto de Lee foi inserido digitalmente.

Editado por Dov Hoenig e M. Scott Smith, The Crow é o filme mais ágil dos quais já assisti. A montagem não perde tempo com sub-tramas artificiais e vai direto ao assunto, jamais permitindo que a projeção se torne cansativa. É importante lembrar que todas as cenas de Skull Cowboy (Michael Berryman), o guia de Draven ao mundo dos vivos, foram removidas da versão final para que o filme tivesse um tom mais realista.

Os personagens principais do filme são interessantes e bem explorados. Além de Draven, temos Albrecht (Ernie Hudson), o policial honesto decidido a investigar e capturar a gangue responsável pela morte de Draven e Shelly, a jovem e solitária Sarah (Rochelle Davis, em seu único papel em um filme), amiga do casal e filha da viciada Darla (Anna Levine), garçonete do bar freqüentado pela gangue de T-Bird (David Patrick Kelly), a responsável pelos assassinatos. Porém, o único vilão a ter desenvolvimento maior em tela é Top Dollar (Michael Wincott), o “poderoso chefão” da cidade, controlando tudo ao lado de sua meia-irmã, Myca (Bai Ling). É curioso notar que seu nome jamais é mencionado no filme.

Todas as cenas de The Crow são fantásticas, mas algumas são realmente icônicas, especialmente aquelas envolvendo diálogo entre dois dos três protagonistas do bem (Draven, Albrecht e Sarah aparecem juntos brevemente apenas uma vez em todo o filme). Há uma cena belíssima na qual Draven faz uma visita a Albrecht em seu apartamento, onde Draven toma ciência de fatos do crime que ele ainda desconhecia. Outro ótimo momento é quando Sarah e Albrecht, em uma barraca de lanches, questionam a possibilidade de uma pessoa retornar do mundo dos mortos. Por fim, o primeiro encontro de Draven com Sarah após sua ressurreição, no qual ele, a princípio, se preocupa em esconder seu rosto da garota apenas para, logo em seguida, indicar que possa estar “vivo”.

Mas não só de diálogos vivem as melhores cenas. A ação do filme é extremamente bem coreografada e montada. Temos uma bela luta no telhado de uma igreja, uma eletrizante perseguição de carros, uma matadora (perdoem-me o trocadilho) seqüência na qual Draven invade uma reunião e, também, aquela na qual ele segue o corvo pelo terraço dos prédios da cidade ao som de Nine Inch Nails.

E já que mencionei essa banda, sou obrigado a falar também das canções que compõem The Crow – embora algumas delas apareçam apenas no disco The Crow Soundtrack. Além da já citada música de Revell, o filme apresenta uma trilha sonora de Rock para todos os gostos com canções como Burn (The Cure), Big Empty (Stone Temple Pilots, lembram?), Slip Slide Melting (For Love Not Lisa), Darkness (Rage Against The Machine), Milktoast (Helmet), Snakedriver (The Jesus And Mary Chain) e It Can’t Rain All The Time (Jane Siberry, composta em parceria com Revell). Esta última me dá arrepios até hoje quando começa a tocar junto aos créditos finais. Duas bandas contribuíram com covers, sendo elas Pantera (The Badge, do Poison Idea) e Nine Inch Nails (Dead Souls, do Joy Division). Não vou dizer que gosto de todas as canções presentes, afinal algumas delas realmente não me apetecem, como a horrível After The Flesh (My Life With The Thrill Kill Kult), mas, no geral, todas têm a ver com o contexto e a atmosfera do filme.

The Crow é um daqueles filmes que marcaram minha infância e que, mesmo após tantos anos, não conseguem me fazer cansar de revisitá-los ocasionalmente. É uma pena, porém, que este sempre será marcado pela morte precoce de Brandon Lee, que tinha 28 anos de idade e um grande potencial para papéis mais dramáticos. Portanto, encerrarei este texto com uma citação do filme que faz uma amarga rima entre a vida real e a encenada.

“Se as pessoas que amamos são tiradas de nós, a forma de mantê-las vivas é nunca deixar de amá-las. Prédios queimam, pessoas morrem, mas o amor verdadeiro é para sempre.” – Sarah

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Inóspito

Por que finjo estar bem?
Não sou bem-vindo a este lugar
Todos me julgam estranho
Mas sou apenas um estrangeiro

Estou aqui por um único motivo
Precisava saber como era pessoalmente
Imagens imóveis são belas
Mas suas origens são o ápice

Os vislumbres da imensa paisagem
Subitamente tornam tudo muito claro
Cada distância percorrida com dificuldade
Foi compensada por este momento

Agora não sei quando regressarei
Levo comigo as belas lembranças no olhar
Apesar de hostil e remoto
Quisera poder ficar aqui para sempre

Mas não quero morrer
Não agora
E não mais.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Vazio

O que pode ser feito quando algo que gerava um grande prazer não anda satisfazendo? E não estou falando em sexo...

Sim, escrever não me faz bem há algum tempo. Perdi aquela sensação de “alma lavada” e o orgulho que eu sentia ao terminar de escrever um texto.

Preciso de novas aventuras e fontes de inspiração e, quem sabe, recuperar o fôlego que tive ao criar este blog, que atingiu a marca de 2000 visitas recentemente e que, como bem sabem, eu acreditava que jamais chegaria à metade disso.

Isto não significa que irei desaparecer. Apenas que, por enquanto, as atualizações continuarão escassas, como anda ocorrendo nos últimos meses.

Ainda há tanto o que expressar, mas não apenas com palavras. Está na hora de levar minhas duas verdadeiras paixões mais a sério.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Nômade

Ainda me lembro da última vez
Estávamos deitados juntos
Contemplando aquele exato momento
Perturbando os vizinhos ao lado

Sua pele estava tão macia, tão suave
Seu olhar me dizia exatamente o que eu queria saber
Os sussurros de sua boca me enlouqueciam
Traziam à tona o animal em mim

A escuridão entre quatro paredes
A música vinda do estéreo
Aliada ao som da chuva e seu corpo quente
Não havia como imaginar algo possivelmente melhor

O clímax, o suor, o cansaço, as juras
A canção final já havia tocado
A chuva havia cessado
As luzes se acenderam e seu corpo esfriou

Era chegada a hora de sua partida
Você não queria dizer “adeus”
Ao sair pela porta dos fundos, realmente não o disse
Mas foi embora sem olhar para trás.

domingo, 3 de abril de 2011

Stone Temple Pilots: No. 4

A primeira vez em que ouvi os Stone Temple Pilots foi em 1994, quando o filme The Crow (O Corvo) saiu junto com sua trilha sonora. Eu havia ficado embasbacado com a qualidade do filme e das canções que o compõem (ainda pretendo escrever sobre isto). A música dos STP em questão era a fantástica Big Empty, que sempre considerei a melhor a aparecer na trilha sonora de The Crow.

Entretanto, minha curiosidade para conhecer mais sobre os STP nunca emergiu, nem mesmo quando foi anunciado que Scott Weiland, o vocalista da banda, se juntaria aos ex-Guns N’ Roses (banda da qual sou fã desde 2001) Slash, Duff McKagan e Matt Sorum para fundar o Velvet Revolver, que, de acordo com os fãs de GN’R e STP, não fez justiça ao legado de nenhuma destas bandas.

Enfim, foi tudo uma questão do destino. Certo dia, em Novembro passado, estava fazendo um trabalho de faculdade na casa de uma colega, que havia saído para almoçar. Coloquei meu MP3 para funcionar e, quando ela regressou, estava tocando Big Empty. Ela perguntou se eu gostava dos STP e eu afirmei que conhecia apenas aquela canção. Então, rapidamente ela buscou em sua coleção o Core, primeiro trabalho da banda, para que eu pudesse conferir mais sobre a mesma. Minha atração pelo som pesado do álbum foi instantânea.

Poucos dias depois, resolvi conferir os demais trabalhos dos STP. Enquanto Core (1992) tentava seguir a linha de bandas do movimento Grunge, como Pearl Jam e Alice In Chains, foi com Purple (1994) que conseguiram encontrar sua identidade musical. O álbum, considerado a obra-prima dos STP, ainda mantinha a sonoridade de seu antecessor, mas desta vez trazia novos elementos alternativos que se tornariam uma peculiaridade da banda, culminando em Tiny Music... Songs From The Vatican Gift Shop (1996), agradando a poucos devido a sua desvirtuada direção musical, apresentando um som mais leve e comercial, bem diferente dos dois primeiros trabalhos.

Foi durante a turnê de Tiny Music que Scott Weiland teve maiores problemas com drogas e foi preso, fazendo com que a banda entrasse em hiato por tempo indeterminado. Passados os perrengues do vocalista, a banda se reúne e grava No. 4 (1999), o álbum mais cru, direto e agressivo da carreira dos STP. Felizmente, não caíram no clichê de expressarem tudo pelo que passaram através das letras das canções – aqui a raiva é descontada nos instrumentos e vocais distintos de Weiland.

(Aliás, distinção é algo que predomina em todos os álbuns dos STP – exceto em Core por motivos já mencionados – e em seus integrantes. O guitarrista Dean DeLeo, seu irmão e baixista Robert DeLeo e o baterista Eric Kretz, ao lado de Scott Weiland, são capazes de tocar praticamente qualquer tipo de Rock, como comprova a variada discografia da banda. É difícil acreditar que são os mesmos integrantes em todos os álbuns. Falar sobre as letras dos STP não é tarefa fácil, pois a maioria delas não faz muito sentido, como comprova um trecho de Creep, do álbum Core: “got no meaning, just a rhyme”. Portanto, cada pessoa pode ter a sua própria interpretação.)

Down, a canção de abertura de No. 4, é o exemplo perfeito do meu tipo de som preferido: lento e extremamente pesado, com baixa afinação dos instrumentos e distorção de guitarras na medida certa. Não há nada melhor do que todos estes elementos juntos para bater cabeça de forma mais apropriada, principalmente com um excelente solo de guitarra sobre uma base tão poderosa. Heaven & Hot Rods continua com a mesma proposta sonora da canção anterior, porém em ritmo mais acelerado e com um dos riffs mais intensos do Rock pesado. O som cru da bateria de Eric Kretz e o momento de grande inspiração nas seis cordas no qual Dean DeLeo se encontrava conferem ainda mais peso à faixa.

O grande destaque de Pruno é a pulsante linha de baixo de Robert DeLeo, que predomina em toda a faixa. Seu simples e agressivo refrão é um dos mais legais de No. 4. Church On Tuesday, apesar de conter sua parcela de peso, se mostra uma canção com maior apelo comercial e é, provavelmente, a que menos gosto no álbum. Isto é um bom sinal, visto que a faixa é muito boa. Temos, então, o hit Sour Girl, excelente balada acústica, de fácil acesso e conteúdo leve, perfeita até para os não-amantes do Rock, servindo como uma pausa no peso das canções anteriores e das que ainda estariam por vir.

No Way Out é a canção Nü Metal (estilo em alta na época) de No. 4. Isto poderia ser o suficiente para que eu criasse desgosto pela faixa, já que tal estilo nunca me agradou. Mas, quando feito por músicos talentosos, pode se revelar como algo mais que decente. É o que acontece aqui. No Way Out nos dá a impressão de que os Stone Temple Pilots tentavam concorrer diretamente com bandas como Korn, Deftones e demais derivados. Apenas espere por muito, muito peso, sobretudo nos refrãos da canção. Sex & Violence é uma porrada rápida e direta, enquanto Glide é uma balada “viajante”, linda e pesada que, de fato, me faz querer sair voando sem direção. Grande momento de No. 4.

I Got You é outra balada acústica nos mesmos moldes de Sour Girl, porém ainda melhor. Weiland chega a lembrar Kurt Cobain em seus vocais mais suaves. Aqui se encontra meu refrão preferido em No. 4, aquele que mais me faz ter prazer em ouvir e cantar. Recentemente, analisando a letra da canção com uma amiga, chegamos à conclusão de que a referência feita em I Got You é sobre o uso da heroína, tema sombrio abordado de forma tão aparentemente inofensiva. MC5 é mais uma porrada maravilhosa e certeira ao estilo de Sex & Violence e o último momento agressivo do álbum.

Agora temos Atlanta. A faixa que encerra No. 4 merece um parágrafo à parte. A terceira balada acústica do álbum em nada lembra as incomplexas Sour Girl e I Got You. Desta vez, o feeling surge em primeiro lugar com o auxílio de arranjos orquestrais e podemos conferir a melhor incorporação de Jim Morrison já realizada em toda a história do Rock. Esta poderia ter sido uma grande canção dos Doors. Weiland interpreta a faixa como se estivesse cantando em seu próprio funeral e a mesma possui, talvez, a letra menos metafórica e confusa do álbum: trata-se de uma “princesa mexicana” que se foi e as lembranças que ela deixou. Evidentemente, Atlanta é uma das canções mais belas dos STP. É, sem dúvida, a mais bela de No. 4.

(Scott Weiland novamente teve problemas com a justiça durante a turnê de divulgação de No. 4 e a mesma precisou ser cancelada. A banda ainda lançou, em 2001, Shangri-La Dee Da, o último trabalho dos STP antes de Weiland ir para o Velvet Revolver. Este álbum trazia um som muito mais diversificado, variando entre o Alternativo, o Psicodélico e o Pop com algumas faixas um pouco mais pesadas. Não vou falar sobre o álbum auto-intitulado lançado em 2010 após a reunião dos STP, pois o mesmo não traz nada do que era característico da banda em seus cinco primeiros trabalhos.)

Nunca houve um álbum que mudou minha vida, mas vários marcaram uma época dela. No. 4 é o do momento atual. Ele pode até não ser o melhor trabalho dos Stone Temple Pilots, mas sem dúvida é o que mais vicia. Aprecie no talo e sem moderação.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Exercício Cinematográfico: Parte I

Sexta-feira, 11 de Março. Estava conversando no MSN com Sérgio Snowz, amigo e colega do curso de Audiovisual. Estávamos com vários projetos de curtas em mente, mas nunca começávamos nenhum deles. Em certo momento, ele me mandou um link do Youtube referente ao chamado “Exercício Eisenstein”, que visa à prática de enquadramentos interessantes e uma breve trama por trás dos mesmos. Após assistir ao exercício, debatemos um pouco e ele disse que faríamos um do tipo na faculdade ainda no mesmo dia.

Até aí, tudo bem. Entretanto, uma coisa não saía da minha cabeça: o que iríamos filmar? Após refletir um tempo, decidi que deixaria esta questão para ser debatida com Sérgio quando nos reuníssemos na faculdade. Foi então que, durante o banho, eu tive uma idéia que renderia um bom exercício: um skinhead e um negro marcam um duelo em uma garagem, próximo ao carro do negro, que se atrasa bastante, fazendo com que o skinhead quebrasse seu carro. Lembrei-me também de uma piada racista que ouvi quando ainda era criança e que se encaixaria perfeitamente no contexto do filme como uma narração.

Para mim, mesmo sendo um péssimo ator, o papel de skinhead era perfeito: branco, careca, tatuado, de olhos verdes e uma forma peculiar de andar (graças ao meu problema de coluna). Racismo, o tema do filme, é algo sério e extremamente desagradável para mim (já expressei minha opinião no review que escrevi sobre American History X), mas na Arte não abordamos apenas temas descontraídos. Caso contrário, não haveria filmes brilhantes como Apocalypse Now, Crash, Midnight Cowboy e Cidade De Deus. Para o papel do negro, pensei em convidar nosso colega de Design Gráfico Cleiton “C Negão” Brito.

Logo após terminar de me arrumar, Sérgio me avisou que não poderia chegar mais cedo na faculdade, mas fui para lá no horário combinado mesmo assim, pois passar a tarde inteira em casa coçando é uma tortura. Encontrei-me com o Negão e expliquei para ele como seria o filme. Ele prontamente aceitou o convite. Algum tempo depois, Sérgio e Glauco “Floquinho” Maciel (o “audiomaster” da turma) chegaram e também foi explicada a eles a idéia do exercício. Felizmente, Glauco, que não estava nos planos porque sabíamos de sua escassez de tempo disponível, decidiu se responsabilizar por gravar todos os sons ambientes do filme, além de contribuir com uma breve trilha sonora.

Fomos, então, ao ambiente onde o filme seria rodado: o estacionamento do subsolo da faculdade. Chegando lá, vimos um belo Santana branco e decidimos que ele seria o “carro protagonista” perfeito. Ficamos perto dele fazendo um brainstorming e discutindo algumas coisas a serem filmadas, simulando pancadas no carro. Do nada, um homem sai do Fiesta estacionado próximo ao Santana, entra neste, liga-o e sai dirigindo, estacionando-o do outro lado. Todos ficaram embasbacados por não perceberem que alguma atividade acontecia no Fiesta, que incluía uma mulher. Professores safadinhos!

No mínimo, o dono do Santana achou que planejávamos roubá-lo, visto que ninguém do grupo parece “normal” (talvez apenas o Glauco). Depois de muito planejamento, decidimos que as filmagens aconteceriam na segunda-feira seguinte e que o novo “carro protagonista” seria escolhido de última hora para evitar mais imprevistos.

quarta-feira, 9 de março de 2011

O Fim do Infinito

Por falta de vontade para escrever algo novo, resolvi postar algo feito há algum tempo, exatamente no dia 11/10/2010. Não tinha pretensões de torná-lo público até então. “Co-escrito” por uma pessoa muito especial, embora cada vez mais distante.

Estava assistindo a um filme
Você parecia não fazer questão
E de fato não fazia, estava receosa
Nada estava bem há tanto tempo
Mas eu estava pronto
Havia a sobrecarga
Os ombros se pesavam com os corações
Eu nunca corri atrás, sempre contra
Durante muito, muito tempo foi assim
Eu nunca quis que fosse assim
E nunca fiz nada para que fosse diferente
O momento simplesmente não chegou
Eu não era feliz, agora sou
Você era feliz, agora não é
O passado é mais importante do que o presente
Já não sei mais o que sente
Não temos razão para mentir
O que foi bom ainda lhe comove
Mas isso já não é o suficiente para que fique bem
Anos não são dias, o tempo pesa
Mas ele pesa para todos nós
Nunca é tarde, mas certas mudanças são irreversíveis
O sentimento não é mais o mesmo
É como se estivesse faltando alguma coisa
Nós nos perdemos, e não sabemos quando isso aconteceu
Não sei por que permiti que isso acontecesse
Não tenho medo de perder o que não tem valor
Mas nunca tive tanto medo de perder algo como agora
Nos conhecíamos tão bem
Por que não cuidei de você?
É preciso saber quando um ciclo se fecha
Agora existimos apenas em fotografias, lembranças e amadurecimento
Não encontrarei alguém como você
Mas não mais irei te esperar
Não suportaria estar ao seu lado e não poder tocá-la
Obrigado por ter feito parte de mim
O amor seguirá em frente.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Navalhas Banguelas

A solidão não se perde no olhar penetrante de seus olhos
Carnívoro é o coração latejante da alma vagabunda
Que, de certa forma, atinge meu ser ligeiramente cansado
E rompe a raiz do mal, devorando o amanhecer de cada dia

Não há razão dentre as razões que circundam a presença
A carne fraca traz aquele sentimento de sentimento interrompido
Traz-te vertiginosa aos meus pensamentos mais cruéis
Infiéis, tragados por uma boca ensandecidamente ensangüentada

Unhas e dentes se partem ao atacar a mórbida híbrida relação
Contundentes se fazem sob o fio da navalha banguela
A Pátria pútrida cumprimenta a Mãe Terra pelo fértil solo
Tão cheio de detritos, de ameaças e de si próprio

Em todo este mar de flutuantes naufrágios encontra-se esta
Aquela, e mais algumas luzes de velas queimando-se sofridas
Pranteando desesperadas pelo fim da parafina suada
Pois sabem que o fogo arde em dor, não em prazer

Afinal, qual seria o desfecho apropriado para a História?
Apenas o fim.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A Letra "A"

Mulher: beleza estonteante e singular
Faca amolada que corta cegamente
Mar raso de grandes profundidades
Transparência envolta em mistério

Faz-nos chorar e ser homens
Leva-nos ao céu e ao inferno
Induz-nos a sermos melhores
Extrai-nos a força para amar

Tão bela, a ponto de apaixonarmos apenas ao olhá-la
Sentir o bater de seu forte coração
O som mais belo, que faz-nos sentir em casa
E as sombras cederem lugar a mais brilhante luz

Seu sorriso, seu rosto, seu charme, seu cheiro, seu ser
Morrer em tais braços seria a grande honra do homem
Cada noite em sua companhia seria infinita
Embora não possamos viver para sempre

Mulher: anjo sedutor, inteligente e fatal
Pequena em suas proporções, gigante em seus atos
Insolúvel como um diamante, quente como um vulcão
Encantadora como a neve, devastadora como um furacão

Flecha falha que não erra
Força esgotável que não se rende
Doença benigna que não tem cura
Maravilha grandiosa que não se ofusca.